quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Começo... E Talvez o Fim


Bom, meu caso é um pouco diferente do de Isa. Au pair? Não, acho muito tempo e não quero ter que trancar a faculdade. Por isso tô tentando trabalhar na Disney pelo International College Program, já que é nas férias, mas a coisa tá bem difícil. Além de passar nas entrevistas (até agora só fiz uma), tenho que esperar a boa vontade da coordenação do meu curso assinar o proof of student e me devolver a tempo de enviar.

Há umas duas/três semanas, fui a Recife pra fazer a primeira entrevista. E me ferrei haha. É só por isso que eu to achando difícil ir, não vou negar. Mas continuando... Primeiro de tudo que eu tive que pegar o vôo de madrugada, quase não dormi. Não que isso seja desculpa, porque todos ali tavam na mesma situação. Até aí tudo bem, eu ainda tinha uma gotinha (ok, um balde) de esperança.

Muita enrolação pra começar a palestra e blá, blá, blá, dei sorte de sentar na frente e pegar uma senha pra entrevista mais cedo. Nesse dia, a mulher chamava pra entrevistar de quatro (ui... não) em quatro pessoas. Certo. Fui eu e mais três.

Antes de mim, ela “entrevistou” (duas perguntas pra cada, mais ou menos) dois desses que estavam comigo. Eu olhava e pensava “pergunta isso pra mim, isso eu sei responder”. Lógico que eu tinha dado uma olhada na comunidade antes, “estudado” as perguntas, e elaborado as possíveis respostas. Eu estava preparada, inclusive, pra puxar o saco da Disney. Pra responder por que ela teria que me contratar e não contratar a pessoa ao lado. Pra vender uma caneta. Pra falar pra menininha que a fila pra tirar foto com a Minnie estava fechando. Me senti confiante até. É, até ela olhar pra mim e falar “talk about your life”. Simplesmente isso: talk-about-your-life. Me senti respondendo o “quem sou eu” do Orkut. E se eu soubesse responder o “quem sou eu” do Orkut, eu teria respondido, ao invés de colocar um trecho de uma música.

Pausa para reflexão: o que se deve responder para uma pergunta como essa? Eu estava numa entrevista de emprego, não estava? Então o que eu teria que responder se eu não faço nada de interessante na minha vida? Eles estão nem aí se eu moro com meu pai, minha mãe e meu papagaio. Estão nem aí se eu acordo todo dia de manhã e vou pra aula. Estão nem aí se eu levo uma vida “normal”. Agora, se eu fosse mãe solteira, meu pai fosse traficante e estivesse preso, minha avó fosse uma atriz famosa e estivesse hoje em reabilitação, e minha mãe fosse, sei lá, imigrante chinesa que chegou ilegalmente no Brasil, talvez eu tivesse alguma coisa pra contar. Quase mandei “Tik Tok” na hora, mas me segurei e comecei a enrolar.

Tudo bem, consegui não estragar completamente as minhas chances na primeira pergunta. O negócio foi a segunda. Só uma breve pausa para explicação: na palestra, eles te dão um papel onde você numera as “roles” (posições) de acordo com sua preferência. As minhas eram character attendant na primeira, operations na segunda, e merchandise na terceira. Quando eu tava preenchendo o danado do papel, fiquei em dúvida sobre o que colocar na terceira opção. Então, o que eu fiz? O bom e velho “mamãe mandou” (“unidunitê”, whatever) entre merchandise e quick service. Deu merchandise.

Voltando à entrevista... A mulher resolveu perguntar por que eu coloquei merchandise na terceira opção. Se antes eu já tava sem resposta e nervosa, agora piorou tudo. Eu ia dizer o que? “Err, i did ‘mommy wants me to choose this here...’”? Eu tava sem respostas, agora já era mesmo. Resolvi enrolar (mais haha) e falar por que escolhi a primeira opção. Falei umas coisas bem nada a ver, tudo pra ela esquecer o que me perguntou e focar no meu inglês (que também não foi essas coisas todas, já que eu tava nervosa e gaguejando).

O pior de tudo isso é não saber o critério que eles utilizam pra aprovar você ou não. Ninguém sabe se é o inglês, a pronúncia, a gramática, a roupa que você tá usando, as suas respostas, o seu currículo, a sua ficha criminal, o seu IRA (não)... É tudo muito confuso e imprevisível. Espero passar, só por que esse meu diazinho aí foi muito tenso, aconteceram vários problemas depois da entrevista. Mas não acredito racionalmente nisso.

Caso eu não passe, ano que vem eu tento de novo. Ou tento outro trabalho no exterior. Ou passo a relatar aqui como foram minhas queridas férias em Natal, só pra não deixar Isa postando sozinha =p.

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